Apresentação
A política de saúde para as mulheres de Fortaleza é resultado de uma série de encontros com representantes dos movimentos sociais, universidades e organismos governamentais e não governamentais. A partir desse debate, foram estabelecidos alguns pressupostos como a necessidade de pensar a saúde da mulher não apenas sob a perspectiva da sua função reprodutiva, mas a partir de outros valores que se integrem às concepções sobre direitos humanos e cidadania.
Para ampliar a capacidade de resposta aos serviços de saúde foram definidas linhas de cuidado relacionadas aos ciclos vitais, que perpassam toda a rede - da atenção básica à alta complexidade. A partir daí foram se desenhando iniciativas destinadas a diferentes áreas do universo feminino.
Dentro do plano de ação voltado para a atenção obstétrica foi elaborada a cartilha da gestante, com informações sobre gestação e direitos da mulher. Aos recém-nascidos será entregue um diploma de cidadão e está em negociação com os cartórios a entrega da certidão de nascimento das crianças na própria maternidade. Outras iniciativas nesse campo foram a capacitação de profissionais para melhor atenderem ao pré-natal e o aprimoramento do sistema de informação.
O Comitê da Mortalidade Materna, que investiga os óbitos e propõe medidas de aprimoramento dos serviços, foi reativado, e tem contribuído com a melhoria dos diagnósticos das mortes maternas. Através da política de saúde da mulher foram capacitados 200 profissionais das unidades de saúde em contracepção de emergência. Foram disponibilizados na rede contraceptivos e encontra-se em fase de licitação a compra de diafragma e de material educativo do aparelho reprodutor masculino e feminino. O objetivo de ampliar os métodos de contracepção é oferecer à mulher a possibilidade de decidir se quer ou não ter filhos.
Dentro da política de prevenção ao câncer, a cobertura do exame Papa Nicolau dobrou e 120 enfermeiros e 40 médicos receberam capacitação através de parceria entre a SMS, a Maternidade Escola e a Sociedade Cearense de Ginecologia. O sistema tem também identificado as mulheres que tiveram câncer em estágio grave ou lesões de alto grau para monitorar o tratamento. A fila da mamografia, que era de cerca de 4 mil no início de 2005, não existe mais.
No campo da violência contra a mulher, o hospital Gonzaguinha de Messejana tornou-se uma referência no atendimento. Ali, as mulheres vítimas de violência doméstica e sexual encontram atendimento interdisciplinar que evita, inclusive, a necessidade de deslocamento ao Instituto Médico Legal para realização do exame de corpo de delito. O prontuário da paciente serve como base para que o laudo seja emitido.
O Hospital Nossa Senhora da Conceição está se capacitando para oferecer o mesmo tipo de atendimento. Além disso, foram realizados seis seminários nas secretarias regionais abordando a violência doméstica e sexual e equipes dos hospitais foram treinadas para realizarem o aborto legal.
O ponto máximo de efetivação dessa política de saúde voltada para o segmento feminino deve se efetivar com a construção do Hospital da Mulher, um complexo com equipes multiprofissionais que irão atender à mulher em todo o seu ciclo vital.
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